Graduado em Letras/Literatura pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP - Jacarezinho, PR); Acadêmico de Direito; Pós-graduando em Direito Civil e Processual Civil. Professor de redação nos ensinos fundamental e médio.
"Longe da emoção, que muitas vezes leva a erros, a interpretação sistemática do art. 166, do Código Civil, torna lúcida a questão. Afinal, o ato jurídico que outrora era perfeito, isto é, o registro das crianças com nome de pai e mãe, acaba por tornar-se imperfeito à medida que o motivo determinante do negócio jurídico celebrado é ilícito (barriga de aluguel), e sequer prescrito em lei, razão pela qual a legislação pátria obsta a vontade dos pais."
A questão trabalhada pelo texto foi meramente jurídica. A tendenciosidade pode partir, muitas vezes, de quem lê, não dos autores.
Já em relação ao título, caro doutor, se excluir-se a ideia de aluguel, como o senhor sugere, então perdemos o objeto do artigo, pois é justamente na questão de mercancia que se firma todo o nosso trabalho e a nossa discussão, ao passo que se assim não o fosse, de fato, não haveria que se falar em desejo ilícito, e aqui é importante frisar, independentemente se o casal for hétero ou homoafetivo. Basta vermos que na Tailândia já se discute a proibição da barriga de aluguel em virtude de um casal heterossexual australiano ter abandonado uma criança recém-nascida com Síndrome de Down, e, pasme, ter levado a irmã gêmea porque não tinha "defeito" algum.
É isso que estamos construindo para a sociedade? A vida tornada mercadoria? Porque a partir do momento que aceitarmos esse malabarismo para fraudar a lei brasileira (passar por 3 continentes para concretizar a barriga de aluguel mercantil), devemos então suportar a legalidade de comercialização da "barriga" também no Brasil, porque absolutamente nada justificaria a proibição.
Quanto à revisão do texto, reafirmo fortemente os agradecimentos pelas sugestões que o senhor nos dedicou, mas lhe garanto que não há nada para ser mudado, afinal, eis a grande sacada das ciências jurídicas, proporcionar a discussão franca e aberta, sem pensar que há apenas uma verdade. Obrigado.